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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL (Parte 1)

"A vida corre muito mais suavemente se você tiver boa inteligência emocional", disse ao Huffington Post o psicólogo Daniel Goleman. Mesmo autor do livro "Inteligência Emocional", que já mencionei aqui no blog e que está sendo uma ótima leitura.

O que torna algumas pessoas mais bem-sucedidas que outras no trabalho e na vida? QI e ética são importantes, mas não são tudo. Nossa inteligência emocional - o modo como gerenciamos as emoções, tanto as nossas como as dos outros - pode ter um papel crítico para determinar nossa felicidade e nosso sucesso. Platão disse que todo aprendizado tem uma base emocional, e talvez ele tenha razão. O modo como interagimos com nossas emoções e as regulamos tem repercussões em quase todos os aspectos de nossa vida.

Para colocar em termos coloquiais, a inteligência emocional (IE) é como a "sabedoria da rua", em oposição à "sabedoria dos livros", e é responsável por grande parte da capacidade de uma pessoa de navegar com eficiência pela vida. "Quem tem inteligência emocional geralmente é confiante, sabe trabalhar na direção de suas metas, é adaptável e flexível. Você se recupera rapidamente do estresse e é resistente" (Goleman).

Os cinco componentes da IE, como definidos por Goleman, são autoconsciência, autorregulação, motivação, habilidades sociais e empatia. Podemos ser fortes em algumas dessas áreas e deficitários em outras, mas todos temos o poder de melhorar em qualquer uma delas. 

Autoconsciência: Consciência individual de si mesmo. Não há consciência sem autoconsciência.

Autorregulação: Ação ou efeito de se autorregular, regular a si mesmo sem intervenção externa.

Motivação: É o impulso interno que leva à ação.

Habilidades Sociais: um conjunto de comportamentos emitidos por um indivíduo em um contexto interpessoal que expressa sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo de modo adequado à situação, respeitando esses comportamentos nos demais, e que geralmente resolve os problemas imediatos da situação enquanto minimizando a probabilidade de futuros problemas.

Empatia: Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias.

Não tem certeza de qual é seu nível de inteligência emocional? 

No próximo post seguirão os 14 sinais que indicam se você tem ou não inteligência emocional. Aguardem!

Eduardo S. Metz
Psicólogo - CRP 07/19.385
Especialista em Gestão de Pessoas - LFG

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

TEXTO "A CERCA"

Em uma das aulas que estou dando em um curso de Cuidador de Idosos apliquei uma dinâmica bem interessante, onde o principal objetivo era o Feedback. Ao final da dinâmica pedi que todos sentassem em círculo para ouvir um breve texto para refletirmos. 

Este texto:

Era uma vez um menino que tinha um temperamento muito forte. Seu pai deu-lhe um saco de pregos, dizendo-lhe que, cada vez que ele ficasse furioso, pregasse um prego na cerca do fundo da casa.
No primeiro dia, o garoto pregou 37 pregos, mas gradualmente ele foi se acalmando. Descobriu que era mais fácil “segurar” sem temperamento do que martelar pregos na cerca.
Finalmente chegou o dia em que o garoto não se enfureceu nenhuma vez. Contou ao pai o que havia sucedido, e o pai sugeriu-lhe que, daquele dia em diante, por cada dia que conseguisse segurar seu temperamento, retirasse um dos 37 pregos. Passou o tempo e o garoto finalmente foi dizer ao pai que tinha retirado todos os pregos.
O pai tomou o filho pela mão e levou-o até a cerca, dizendo-lhe: “Você fez muito bem, meu filho, mas a cerca nunca mais será a mesma”.

Quando você está furioso e diz coisas, elas deixam cicatriz, assim como as marcas da cerca. Você pode fincar uma faca em um homem e retirá-la. Não importa quantas vezes você possa dizer “desculpe”, a ferida assim permanecerá. Uma ferida verbal é tão ruim e tão maligna quanto uma ferida física. Amigos são joias muito raras. Eles fazem você sorrir e estimulam você a ter sucesso. Eles emprestam um ouvido amigo, repartem uma palavra de elogio e querem sempre abrir seus corações com você. Mostre a seus amigos o quanto você se importa com eles.

Eduardo S. Metz
Psicólogo - CRP 07/19.385
Especialista em Gestão de Pessoas
dudu.metz@hotmail.com

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Para quem gosta de um bom livro, segue uma sugestão. "Inteligência Emocional" de Daniel Goleman.
Segue um trecho, das páginas iniciais...

(...) pesquisadores estão descobrindo detalhes fisiológicos que permitem na verificação de como diferentes tipos de emoção preparam o corpo para diferentes tipos de resposta:

- Na raiva, o sangue flui para as mãos, tornando sacar da arma ou golpear o inimigo; os batimentos cardíacos aceleram-se e uma onda de hormônios, a adrenalina, entre outros, gera uma pulsação, energia suficientemente forte para uma atuação vigorosa.
- No medo, o sangue corre para os músculos do esqueleto, como os das pernas, facilitando a fuga; o rosto fica lívido, já que o sangue lhe é subtraído (daí dizer-se que alguém ficou "gélido"). Ao mesmo tempo, o corpo imobiliza-se, ainda que por um breve momento, talvez para permitir que a pessoa considere a possibilidade de, em vez de agir, fugir e se esconder. Circuitos existentes nos centros emocionais do cérebro disparam a torrente de hormônios que põe o corpo em alerta geral, tornando-o inquieto e pronto para agir. A atenção se fixa na ameaça imediata, para melhor calcular a resposta a ser dada.
- A sensação de felicidade causa uma das principais alterações biológicas. A atividade do centro cerebral é incrementada, o que inibe os sentimentos negativos e favorece o aumento da energia existente, silenciando aqueles que geram pensamentos de preocupação. Mas não ocorre nenhuma mudança particular na fisiologia, a não aer uma tranquilidade, que faz com que o corpo se recupere rapidamente do estímulo causado por emoções perturbadoras. Essa condição dá ao corpo um total relaxamento, assim como disposição e entusiasmo para a execução de qualquer tarefa que surja e para seguir em direção a uma grande variedade de metas.
- O amor, os sentimentos de afeição e a satisfação sexual implicam estimulação parassimpática, o que se constitui no oposto fisiológico que mobiliza para "lutar-ou-fugir" que ocorre quando o sentimento é de medo ou ira. O padrão parassimpático, chamado de "resposta de relaxamento" é um conjunto de reações que percorre todo o corpo, provocando um estado geral de calma e satisfação, facilitando a cooperação.
- O erguer das sobrancelhas, na surpresa, proporciona uma varredura visual mais ampla, e também mais luz para a retina. Isso permite que obtenhamos mais informação sobre um acontecimento que se deu de forma inesperada, tornando mais fácil perceber exatamente o que está acontecendo e conceber o melhor plano de ação. 
- Em todo o mundo, a expressão de repugnância se assemelha e envia a mesma mensagem: alguma coisa desagradou aobgosto ou ao olfato, real ou metaforicamente. A expressão facial de repugnância - o lábio superior se retorcendo para o lado e o nariz se enrugando ligeirente - sugere, como observou Darwin, uma tentativa primeva de tapar as narinas para evitar um odor ou cuspir fora uma comida estragada.
- Uma das principais funções da tristeza é a de propiciar um ajustamento a uma grande perda, como a morte de alguém ou uma decepção significativa. A tristeza acarreta uma perda de energia e de entusiasmo pelas atividades da vida, em particular por diversões e prazeres. Quando a tristeza é profunda, aproximando da depressão, a velocidade metabólica do corpo fica reduzida. Esse retraimento introspectivo cria a oportunidade para que seja lamentada uma perda ou frustração, para captar suas consequências para a vida e para planejar um recomeço quando a energia retorna. É possível que essa perda de energia tenha tido como objetivo manter os seres humanos vulneráveis em estado de tristeza para que permanecessem perto de casa, onde estariam em maior segurança. 

Eduardo S. Metz
Psicólogo - CRP 07/19.385
Especialista em Gestão de Pessoas

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

DE GÊNIO E LOUCO...

Os transtornos mentais afetam muito mais pessoas do que se imagina. Muitas dessas pessoas vivem seu dia-a-dia normalmente, adaptando-se ao seu meio. Dentre elas, alguns famosos, gênios em suas áreas de atuação, citados abaixo:


Isaac Newton foi um dos maiores gênios de todos os tempos. Ele inventou o cálculo, desenvolveu a Lei da Gravidade e construiu o primeiro telescópio refletor. Mas, apesar do brilhantismo, era conhecido por seus transtornos mentais. Newton era uma pessoa de difícil convivência e apresentava mudanças drásticas de humor. Alguns autores sugerem que ele tinha transtorno bipolar e esquizofrenia.




Abraham Lincoln é conhecido por seus grandes feitos como presidente dos Estados Unidos. Mas apesar do sucesso, ele era descrito como um indivíduo de tendências melancólicas. Tinha crises profundas de depressão e ficava debilitado com frequência. Alguns autores afirmam que Lincoln tentou cometer suicídio.


O famoso compositor Ludwig Van Beethoven tinha transtorno bipolar, de acordo com autores. Quando jovem, sofreu muito com o pai - que o agredia fisicamente e o pressionava a estudar música. As surras constantes contribuíram para que ele perdesse a audição. Beethoven tinha períodos de grande excitação e energia , seguidos de momentos de extrema depressão. Para se ver livre das crises, usava drogas e álcool.


De acordo com alguns autores, o escritor Edgar Allan Poe, famoso por suas histórias de terror, sofria de transtorno bipolar. Ele bebia muito e certa vez escreveu uma carta descrevendo seus pensamentos suicidas.




John Nash, o matemático que inspirou o filme 'Uma Mente Brilhante' e ganhador do Nobel de Economia, tem esquizofrenia paranoide. Ele já passou por vários hospitais psiquiátricos, sempre contra sua vontade, nos quais recebeu tratamentos com drogas antipsicóticas e injeções de insulina (que provocam períodos de coma). Gradualmente, Nash se recupera e eventualmente dá aulas de matemática na Universidade de Princeton.


Vincent van Gogh, famoso por quadros como 'A Noite Estrelada' e 'A Cadeira de Van Gogh', sofria de transtornos mentais. Além disso, de tanto beber absinto, ele adquiriu uma lesão no cérebro que causava ataques epilépticos. Certa vez, devido a uma crise, decepou sua própria orelha esquerda. Alguns autores afirmam que ele poderia ter transtorno bipolar, pois tinha variações constantes de humor. Suicidou-se aos 37 anos de idade.


Eduardo S. Metz
Psicólogo - CRP 07/19.385
Especialista em Gestão de Pessoas - LFG













sexta-feira, 8 de agosto de 2014

LIBERDADE

Bom dia! Boa sexta-feira! Dando aquela olhada no Facebook passo por esta postagem de um amigo, colega de profissão e ex-colega de trabalho. Apreciem, pois é uma ótima reflexão.

Somos seres libertos em um universo social?
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A definição de liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional; (Aqui já me pergunto, não seria mais lógico, sermos libertos pelas emoções ao invés das razões?
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Ser livre significa agir de acordo com sua natureza (Spinoza)
A ação humana não é absolutamente livre (Schopenhauer).
A liberdade humana revela-se na angústia. A responsabilidade de suas escolhas é tão opressiva que o faz mentir para si mesmo através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre as próprias decisões. (Sartre)
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Em meio a idéias, as vezes verbalizo para as pessoas:
EXISTEM LIBERDADES QUE SERVEM COMO VERDADEIRAS PRISÕES, BEM COMO PRISÕES QUE SERVEM COMO VERDADEIRAS LIBERDADES. 
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Gosto da ideia de universos particulares, não necessariamente solitários, mas regidos pelos sentimentos e natureza do ser. Para isso, há de se criar, escolher, vivenciar, equilibrar estes universos do ser X universos do social, razão X emoção, pressão X desligamento. Nos moldes que as regras e definições de condutas aceitáveis e normais andam, gosto de enfatizar que justamente, estes universos paralelos na forma de agir e pensar, sejam verdadeiros sinais de ‘IN’sanidade.... gosto disso 
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Em vez de nos preocuparmos com o significado dos termos muitas vezes, o mais fundamental é conhecer o significado das essências e de suas vertentes e formas de procurar fazer-se respirar, buscando nada mais, nada menos, do que o que se tem como natureza humana.
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Codo já dizia: O bicho homem é bom, o homem social e aprendido, é parcialmente corrompido.

Texto de Carlos Eduardo Seixas

Eduardo S. Metz
Psicólogo - CRP 07/19.385
Especialista em Gestão de Pessoas

quinta-feira, 31 de julho de 2014

ENTREVISTA COM CONTARDO CALLIGARIS

Hoje o texto do Blog traz uma entrevista de um ótimo profissional da área de Psicologia. Contardo Calligaris responde à revista MdeMulher algumas perguntas sobre a Felicidade. Vale a pena a leitura e a reflexão.


Contardo Calligaris: 'Não quero ser feliz. Quero é ter uma vida interessante'.
Psicanalista defende que deveríamos nos preocupar em tornar interessante nossa vida de todo dia. Isso implica ter curiosidade, aventurar-se, arriscar mais, lamentar menos e não se proteger das inevitáveis tristezas.


Mais do que buscar permanentemente felicidade máxima, um arrebatamento mágico, deveríamos nos preocupar em tornar interessante nossa vida de todo dia.

É o que defende o doutor em psicologia clínica e psicanalista Contardo Calligaris. Uma rápida olhada em sua biografia mostra que ele não só prega como pratica. Italiano de Milão, depois de mais de duas décadas em conexão direta com o Brasil, já morou também na Inglaterra, Suíça, França e nos Estados Unidos e fez muitas viagens.

Aos 65 anos, atingiu a marca de oito casamentos - desde 2011, está com a atriz Mônica Torres - e teve um filho francês. Além de atender no seu consultório, nos Jardins, em São Paulo, já escreveu mais de dez livros, incluindo dois romances.

Criou até uma série para TV, Psi, no canal a cabo HBO. Diz que, semanalmente, abre mão de "parecer inteligente aos olhos dos pares" e publica toda quinta-feira uma coluna no jornal Folha de S.Paulo. Mais de 100 delas estão no livro Todos os Reis Estão Nus (Três Estrelas). Filmes, fatos, casos de amigos, tudo vira pretexto para traduzir um pouco das teorias da psicanálise, filosofar e provocar reflexão. "Não sou de dourar a pílula", avisa. Não estranhe, portanto, se sentir um impulso diferente ao terminar de ler esta entrevista.

O que é felicidade hoje?

Não gosto muito da palavra felicidade, para dizer a verdade. Acho que é, inclusive, uma ilusão mercadológica. O que a gente pode estudar são as condições do bem-estar. A sensação de competência no exercício do trabalho, já se sabe, é a maior fonte de bem-estar, mais que a remuneração. Nós temos um ideal de felicidade um pouco ridículo.

Um exemplo é a fala do churrasco. Você pega um táxi domingo ao meio-dia para ir ao escritório e o taxista diz: "Ah, estamos aqui trabalhando, mas legal seria estar num churrasco tomando cerveja". Talvez você ou o taxista sofram de úlcera, e não haveria prazer em tomar cerveja. Nem em comer picanha.

Mesmo que não vissem problema, pode ser que detestassem as pessoas lá e não se divertissem. Em geral, somos péssimos em matéria de prazer. Por exemplo, estamos sempre lamentando que nossos filhos seriam uma geração hedonista, dedicada a prazeres imediatos, quando, de fato, vivemos numa civilização muito pouco hedonista. Por isso, nos queixamos de excessos e nos permitimos prazeres medíocres ou muito discretos.

Mas continuamos acreditando que ser feliz é ter esses prazeres que não nos permitimos. E agora?

Ligamos felicidade à satisfação de desejos, o que é totalmente antinômico com o próprio funcionamento da nossa cultura, fundada na insatisfação. Nenhum objeto pode nos satisfazer plenamente.

O fato de que você pode desejar muito um homem, uma mulher, um carro, um relógio, uma joia ou uma viagem não tem relevância. No dia em que você tiver aquele homem, aquela mulher, aquele carro, aquele relógio, aquela joia ou aquela viagem, se dará conta de que está na hora de desejar outra coisa. Esse mecanismo sustenta ao mesmo tempo um sistema econômico, o capitalismo moderno, e o nosso desejo, que não se esgota nunca. Então, costumo dizer que não quero ser feliz.. Quero é ter uma vida interessante.

Mas isso inclui os pequenos prazeres?

Inclui pequenos prazeres, mas também grandes dores. Ter uma vida interessante significa viver plenamente. Isso pressupõe poder se desesperar quando se fica sem alguma coisa que é muito importante para você. É preciso sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso. Eu acho um tremendo desastre esse ideal de felicidade que tenta nos poupar de tudo o que é ruim.

O que adianta garantir uma vida longa se não for para vivê-la de verdade? É isso que temos de nos perguntar?

Quem descreveu isso bem foi (o escritor italiano) Dino Buzatti, no romance O Deserto dos Tártaros. Conta a história de um militar que passa a vida inteira em um posto avançado diante do deserto na expectativa de defender o país contra a invasão dos tártaros, que nunca chegam. Mas tem um lado simpático na ideologia do preparo. É que está subentendida a ideia de que um dia a pessoa viverá uma grande aventura. Mas o que acontece, em geral, é que a preparação é a única coisa a que a gente se autoriza.

Então, pelo menos há um desejo de viver uma aventura?

Mas os sonhos estão pequenos. A noção de felicidade hoje é um emprego seguro, um futuro tranquilo, saúde e, como diz a música dos aniversários, muitos anos de vida. Acho estranho quando vejo alguém de 18 anos que, ao fazer a escolha profissional, leva em conta o mercado de trabalho, as oportunidades, o dinheiro... Isso nem passaria pela cabeça de um jovem dos anos 1960.

A julgar pela quantidade de fotos colocadas nas redes sociais de pessoas sorridentes, elas têm aproveitado a vida e se sentem felizes. Ou, como você aborda em uma crônica, hoje mais importante do que ser é parecer feliz?

O perfil é a sua apresentação para o mundo, o que implica um certo trabalho de falsificação da sua imagem e até autoimagem. Nas redes sociais, a felicidade dá status. Mas esse fenômeno é anterior ao Facebook. Se você olhar as fotografias de família do final do século 19, início do 20, todo mundo colocava a melhor roupa e posava seriíssimo. Ninguém estava lá para mostrar que era feliz. Ao contrário, era um momento solene. É a partir da câmera fotográfica portátil que aparecem as fotos das férias felizes, com todo mundo sempre sorridente.

E a gente olha para elas e pensa: "Eu era feliz e não sabia".

Não gosto dessa frase porque contém uma cota de lamentação. E acho que a gente nunca deveria lamentar nada, em particular as próprias decisões. Acredito que, no fundo, a gente quase sempre toma a única decisão que poderia tomar naquelas circunstâncias. Então, não vale a pena lamentar o passado. Mas é verdade que existe isso.

As escolhas ao longo da vida geram insegurança e medo. Em relação a isso, você diz que há dois tipos de pessoa: os "maximizadores", que querem ter certeza antes de que aquela é a opção certa, e a turma do "suficientemente bom". O segundo grupo sofre menos?

Tem uma coisa interessante no "maximizador": é como se ele acreditasse que existe o objeto mais adequado de todos, aquele que é perfeito. Mas é claro que não existe.

A busca da perfeição não gera frustração, pois sempre haverá algo que a gente perdeu?

Freud dizia que o único objeto verdadeiramente insubstituível para a gente é o perdido. E não é que foi perdido porque caiu do bolso. Ele fala daquilo que nunca tivemos. Então, faz sentido que nossa relação com o desejo seja esta: imaginamos existir algo que nunca tivemos, mas que teria nos satisfeito totalmente. Só não sabemos o que é.

Como nos livrar desse sentimento?

Temos de tornar cada uma de nossas escolhas interessante. Isso só é possível quando temos simpatia pela vida e pelos outros - o que parece básico, mas não é no mundo de hoje. Não por acaso, o grande espantalho do nosso século é a depressão. A falta de interesse pelo mundo e pelos outros é o que pode nos acontecer de pior.

Complica ainda mais o fato de, como você já abordou, enfrentarmos um dilema eterno: desejamos a estabilidade e também a aventura. Então, entramos em uma relação ou um emprego, mas sofremos porque nos sentimos presos e achamos que estamos deixando de viver grandes aventuras. Isso tem solução?

Não sei se tem solução. A gente vive mesmo eternamente nesse conflito. Agora, como cada um o administra é outra história. Pode-se optar por uma espécie de inércia constante, que será sempre acompanhada da sensação de que você está realmente desperdiçando seu tempo e sua vida, porque toda a aventura está acontecendo lá fora e, a cada instante, você está perdendo os cavalos encilhados que passam e não passarão nunca mais. Viver dessa maneira não é uma das opções. Mas você pode também, em vez disso, permitir se perder.

Permitir se perder no sentido de transformar a vida em uma eterna aventura?

Mas também nesse caso você terá coisas a lamentar. Eu, pessoalmente, fui mais por esse caminho. Mas o preço foi muito alto. Por exemplo, eu não estive presente na morte de nenhum dos meus entes próximos, porque morava em outro país e sempre chegava atrasado, no avião do dia seguinte. Hoje, por sorte, meu filho - que é grande, tem 30 anos - vive perto de mim. Por acaso, ele decidiu vir para o Brasil. Mas não o vi crescer realmente.

Para ser feliz, enfim, o segredo é não buscar a felicidade?

Isso eu acho uma excelente ideia. A felicidade, em si, é realmente uma preocupação desnecessária. Se meu filho dissesse "quero ser feliz", eu me preocuparia seriamente.

Preferia que dissesse o quê?

Só gostaria que ele me dissesse: "Estou a fim de..." A partir disso, qualquer coisa é válida. O que angustia é ver falta de desejo nas pessoas, em particular nos jovens. Agora, se ele está a fim de algo, mesmo que isso pareça muito distante do campo do possível dentro da vida que leva, eu acho ótimo.

Eduardo S. Metz
Psicólogo - CRP 07/19.385
Especialista em Gestão de Pessoas

quarta-feira, 2 de julho de 2014

LUTO E SUAS 5 FASES

     Bom dia colegas e amigos! Hoje a publicação do Blog do Eduardo passa por uma questão bastante importante, principalmente no mundo da psicologia. 
     
   O LUTO é um processo necessário e fundamental para todo o ser humano. Ele vem para preencher um vazio de uma grande perda, seja de uma pessoa, ou de um objeto, ou de uma viagem, etc. 
Este processo vem acompanhado de alguns sentimentos, como tristeza, raiva, culpa, solidão, desamparo, alívio, ansiedade. E também com sintomas físicos, como vazio no estômago, nó na garganta, aperto no peito, falta de ar.

Acompanhe conosco as 5 FASES FUNDAMENTAIS DO LUTO:

A negação - Surge a primeira fase do luto, é no momento que nos parece impossível a perda, em que não somos capazes de acreditar. A dor da perda seria tão grande, que não pode ser possível, não poderia ser real.

A raiva – A raiva surge depois da negação. Mas mesmo assim, apesar da perda já consumada negamo-nos a acreditar. Pensamento de “ porque a mim?” surgem nesta fase, como também sentimentos de inveja e raiva. Nesta fase, qualquer palavra de conforto, parece-nos falsa, custando acreditar na sua veracidade

A negociação - A negociação, surge quando o individuo começa a por a hipótese da perda, e perante isso tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que esta não seja verdade. As negociações com Deus, são sempre sob forma de promessas ou sacrifícios.

A depressão – A depressão surge quando o individuo toma consciência que a perda é inevitável e incontornável. Não há como escapar à perda, este sente o “espaço” vazio da pessoa (ou coisa) que perdeu. Toma consciência que nunca mais irá ver aquela pessoa (ou coisa), e com o desaparecimento dele, vão com ela todos os sonhos, projetos e todas as lembranças associadas a essa pessoa ganham um novo valor.

A aceitação – Última fase do luto. Esta fase é quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem negação. Nesta fase o espaço vazio deixado pela perda é preenchido. Esta fase depende muito da capacidade da pessoa mudar a perspetiva e preencher o vazio.

Essas fases não possuem tempo determinado para permanecerem "ativas" e também não existe uma ordem para acontecer. O mais comum é que a Aceitação seja a última fase. 

Portanto, valorize o que você tem, pois muitas vezes, erroneamente, damos valor às coisas somente após as perder. Perceba o ambiente que nos cerca, esteja atento a sinais, pois quando uma pessoa querida se vai, ou perdemos algo importante, o sentimento que deve ficar é de saudade e não de culpa.

Eduardo S. Metz
Psicólogo - CRP 07/19.385
Especialista em Gestão de Pessoas